Rothbard, Anarcocapitalismo e Objetivismo:
Liberdade Sem o Estado?
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Introdução
Murray Rothbard é uma das figuras mais influentes por trás do anarcocapitalismo.
Ele rejeita o Estado por completo, argumentando que todo governo é inerentemente coercitivo.
À primeira vista, essa defesa radical da liberdade individual parece próxima do Objetivismo.
Afinal, ambas as filosofias defendem o capitalismo, a propriedade privada e a troca voluntária.
Mas Ayn Rand foi inequívoca:
anarcocapitalismo não é capitalismo.
Para entender o porquê, precisamos olhar além dos slogans e examinar os fundamentos.
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O que o anarcocapitalismo de Rothbard afirma
O anarcocapitalismo afirma que:
• Toda ação do Estado é coercitiva.
• Lei, defesa e tribunais podem ser totalmente privatizados.
• Agências concorrentes podem substituir o governo por completo.
• A sociedade deve ser governada apenas por contratos e forças de mercado.
Na visão de Rothbard, uma sociedade sem Estado é a conclusão lógica da liberdade.
Qualquer monopólio do uso da força — até mesmo um Estado mínimo — é considerado imoral.
Essa rejeição radical do governo é o que define o anarcocapitalismo.
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Por que o Objetivismo rejeita o anarcocapitalismo
Ayn Rand rejeitou o anarcocapitalismo como uma contradição em termos.
O capitalismo, entendido corretamente, exige um arcabouço jurídico objetivo.
Direitos não são aplicados automaticamente.
Eles exigem uma única autoridade objetiva para definir e fazer cumprir as leis.
O Objetivismo sustenta que:
• A força deve ser colocada sob controle objetivo.
• A lei não pode ser subjetiva nem concorrencial.
• A justiça não pode ser privatizada sem colapsar em tribalismo.
Uma sociedade de “agências de defesa” concorrentes não eliminaria a força —
ela a fragmentaria.
Isso não é liberdade. É conflito institucionalizado.
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O capitalismo exige um governo
O Objetivismo defende o capitalismo,
mas capitalismo não é anarcocapitalismo.
O capitalismo é um sistema em que:
• O uso da força é banido das relações sociais.
• O governo existe exclusivamente para proteger os direitos individuais.
• Polícia, tribunais e forças armadas são objetivos e centralizados.
Sem um governo, contratos não têm um árbitro final.
Direitos de propriedade viram reivindicações apoiadas pela força.
Isso não é capitalismo — é caos pré-jurídico.
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O erro central do anarcocapitalismo
O erro fundamental do anarcocapitalismo é epistemológico.
Ele trata a lei como um serviço, em vez de uma necessidade objetiva.
Lei não é uma preferência do consumidor.
É um quadro que deve se aplicar igualmente a todos.
O Objetivismo insiste que a justiça exige:
• Regras objetivas
• Evidência objetiva
• Aplicação objetiva
Múltiplos “sistemas jurídicos” concorrentes significam nenhuma lei de fato —
apenas disputas de poder disfarçadas de contratos.
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Rothbard vs Ayn Rand
Rothbard fundamentou o anarcocapitalismo em teoria de direitos naturais,
muitas vezes tomando emprestado de tradições libertárias antigas e religiosas.
O Objetivismo fundamenta os direitos nas exigências da vida humana,
como explicado em Fundamentos Filosóficos
e no conceito de Man qua man.
Essa diferença é decisiva.
O Objetivismo é uma filosofia da razão.
O anarcocapitalismo é uma conclusão política desligada de uma epistemologia objetiva.
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A verdade mais dura
O anarcocapitalismo identifica um perigo real: o excesso do Estado.
Nesse ponto, Rothbard estava certo.
Mas eliminar o Estado não elimina a força.
Remove sua regulação objetiva.
Liberdade sem lei não é liberdade.
É vulnerabilidade.
O Objetivismo não defende o Estado como um mestre,
mas como uma instituição necessária para colocar a força sob a razão.
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Conclusão
O anarcocapitalismo de Rothbard e o Objetivismo compartilham a rejeição do coletivismo.
Compartilham a defesa da propriedade e dos mercados.
Mas se separam no fundamento.
O anarcocapitalismo busca liberdade abolindo o governo.
O Objetivismo busca liberdade limitando o governo ao seu papel próprio.
Se você quer uma filosofia que defenda o capitalismo
sem dissolver a lei em caos,
o Objetivismo oferece a resposta mais dura — porém racional.